terça-feira, 26 de junho de 2007

Morte


Escurece o dia, tudo fica
Negro, passagem inevitável
Caminho de todo inquebrável
Todos sabem o que significa

Mas todos têm medo de te olhar
Porquê? Se vens sempre bater a porta
Nunca te podemos abafar
E no fim nada disto importa!

Vens de mansinho, sem dizeres nada
Como se tratasse de uma balada
Quando chegas ninguém te vê
Cientes de que todos terão essa sorte

E jamais alguém prevê
Quando tu chegas...morte!

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Papel em branco


Livro de papel em branco sou,
Com caneta passo por cima
Ficando a linha da lágrima
Formando um corpo nu

Sou eu, algo por preencher
Para o mundo me poder ver
Um papel vazio, cheio de riscos
Formado por vários sentidos

Abstracto alguns dizem ser
Mas não sei como me definir
Sem nunca realmente ter
A alma de um existir

Sou apenas uma folha em branco
Um ser errante, um saltimbanco

domingo, 24 de junho de 2007

Presença da ausência



Presença da ausência.
Quando elas se fundem
e volvem-se numa só!
Num tormento em que permaneço,
sem ti, desvaneço...
Pensando na tua Ausência
quando cá, estás presente.
Abraço-te na ausência
para não ter que sofrer,
como se fosses minha
amiga, confidente,
dado ao meu ser ausente.
Ficara apenas umas
reticências... da presença
da tua vacuidade...num
quarto vazio onde já
foi teu, meu!
Numa página da vida,
que se transformou a
dita vida sem ti.
Num livro em branco.
Cheio de dúvidas,
tornando presente
o ausente ser que és!
Mas ficara, viva, pulsante
a tua presença em mim.
Apesar de teres morrido
num esquecimento sem fim,
a tua lembrança ainda
mora em mim!
Jamais irei esquecer.
Tornando a presença
da tua ausência, numa
realidade incontornável!

sábado, 23 de junho de 2007

Nasci alma de mulher


Nasci numa alma mulher, dada ao gene de homem
Sou negra por fora, branca por dentro...
Detesto-me mais que os outros possam detestar
Todos me apontam o dedo, sequer me dão alento...

Revejo-me todos os dias no reflexo do espelho.
Comprimo as pálpebras na esperança
de apagar a imagem que vejo
e acordar no corpo que desejo

Querer me cortar, insiste a mágoa que então se mete
Minha renda é apoucada, me é sonho, quando der.
Tenho amores, pais, irmãos e ao todo somos sete
Não é a robustez do meu corpo que me oprime
a sensibilidade.

Não é a minha opção de vida que me condena
a felicidade.
É a sociedade!
Se desconjuga-me o teu olhar, que de longe mira,
saiba que sou mulher, magoada, mas verdadeira...

Triste fado
Não ser amada
Pelo corpo de homem que trago vestida

Vera Carvalho/ Bruno

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Olhar triste


As minhas palavras não chegam
Por isso deixo te este sorriso
Fazendo com que diminuam
As tristezas,tornando-as num lindo riso

Pequeno de tamanho espero te elevar
Fazendo-te abstrair deste mundo
Levando comigo num eterno mar
Parando o pensamento num segundo

Tornando a felicidade em algo profundo
Nem que seja só nesse segundo
Será o melhor segundo da nossa vida
Para nunca mais ficares perdida

Por isso vou tornar este sonho
Uma realidade constante,
Para deixares esse olhar tristonho
Para ficares com um olhar brilhante!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Alguns Chamam-me de poeta




Alguns chamam-me de poeta
Mas poeta, não sou, nem escritor
Apenas pego no papel, e na caneta
Escrevendo para ti meu amor

Papel em branco, junto letras
Formando um pequeno texto
Que não passam de mentiras
Isto é apenas um pretexto

Para Te chamar a atenção
No meio destas estrelas
A ti minha inspiração

Que não passam de falas
A outros chamou atenção
Quero que sejam desejadas

Imagino


Imagino um mundo melhor
Onde a vida possa se ser vivida
Onde exista apenas um ser o amor
Eu sonho que ainda viva essa vida

Onde não se ponham rótulos
Onde todos sejam aceites como são
Onde haja espaço para haver amigos
Não como este onde existe solidão

Mas o que ainda me deixa contente
É saber que não sou o único a pensar assim
Espero que a criança, de hoje se torne ciente

E deixe este sonho voar, e para nunca ter um fim
Agora chamam-me um eterno sonhador
Pois imagino um mundo melhor

terça-feira, 19 de junho de 2007

Beleza rara


Beleza rara que aos meus olhos encanta,
E o meu coração chora
Por pensar que pode nunca mais te verá
Desejando ser, o que nunca foi
Um simples seguidor dos meus olhos...
Que os meus olhos me guiem onde o meu coração teme ir
Faça descobrir esses novos mundos,
Que outros ousaram ir,
Descobridor quero ser, pelos mares do teu coração
Ventos e tempestades irei ultrapassar para no centro ficar
Jamais serei esquecido, e eternamente serei chamado por conquistador
Quando apenas quis conquistar a tua atenção
Depois de ver teu coração, percebi a essência da vida...
E que muitos nunca chegam a vê-la...
Pois perdem-se nos mares da vista, e tempestades semeiam
Por um amor que dizem ter, mas que não sentem...
Amor não sinto por ti, apenas uma adoração
Que vai crescendo ao longo dos dias...
Por ti a quem chamei de beleza rara!

domingo, 17 de junho de 2007

Prazer


Eis o centro do corpo

O nosso centro

Onde os dedos escorregam devagar

E logo tornam onde nesse

Centro

Os dedos esfregam - correm

E voltam sem cessar


E então são os meus

Já os teus dedos


E são meus dedos

Já a tua boca


Que vai sorvendo os lábios

Dessa boca

Que manipulo - conduzo

Pensando em tua boca


Ardência funda

Planta em movimento

Que trepa e fende fundidas

Já no tempo

Calando o grito nos pulmões da tarde


E todo o corpo

É esse movimento

Que trepa e fende fundidas

Já no tempo

Calando o grito nos pulmões da tarde


E todo o corpo

É esse movimento

Em torno Em volta

No centro desses lábios


Que a febre toma

Engrossa

E vai cedendo a pouco e pouco

Nos dedos e na palma

O horizonte que se perde de vista...



Deambulando pelas ruas desertas, e também eu sou uma rua deserta…

Tentando alcançar o infinito, o infinito que não se quer deixar alcançar…


O horizonte que se perde de vista…


Sentir que se pode ter tudo,

Dentro do tudo que se pode ter…

Sentir que se pode ser tudo…


O horizonte que se perde de vista…


Ser um dia,

Ser o herói desse dia,

Este dia,

Popular…


O horizonte que se perde de vista…


Deambulando pelas ruas desertas, e também eu sou uma rua deserta…

Falta-me algo…


O horizonte que se perde de vista…


O mundo a acabar,

O corpo a gastar…

E eu aqui: deserto.


Tenho sede…


Do amor que não tenho,

Tenho sede…


Tenho sede…

A vida está gasta…

Dobro o Papel.

Apago a noite!

Tenho sede…


O horizonte que se perde de vista…



Autores: Ex-Ricardo e Bruno

sábado, 16 de junho de 2007

Gritar bem alto...


Apetece-me gritar ao mundo

Que rotulou por ter tal doença,

Que nem esperou por um segundo

Para gritar bem alto a sentença


Mas eu sou menos que os outros?

Não sei, bem lá no fundo...

Sei que não sou em todos os sentidos

Mas não me tratem como moribundo


Todos falam cheios de moral,

Como se tivessem tal ingrediente

Para falar, como se fosse única verdade

Desta sociedade, onde tudo é abismal


O meu único desejo era não ter esta vida

Assim se calhar não viveria tal crueldade

Mas Deus quis que tivesse sida...

Para viver neste manto de saudade

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Mãos dadas


-Tuas mãos são deleite de poesias,

Fortes como rochas, como pedras,

Doces, suaves, quando me acaricias.

Belas são tuas mãos negras!



-Tuas mãos são como pétalas de rosas

Com elas toda a tristeza me arrancas.

São ternas, são vaporosas,

Lindas, perfeitas e tão brancas.


De mãos dadas vencemos

O preconceito imundo.

Com nossos versos crescemos

E de mãos dadas mudamos o Mundo.

Mundo este que está feito
Para não ser mudado
Pois quem nasceu branco é perfeito
E o negro é o pobre coitado

Que nas mãos de Deus é iluminado
Mas nas mãos dos homens
É o ser mais crucificado
O branco apenas dá ordens

Marther Lurther King dizia
Eu tenho um sonho,
Só espero por esse dia...


Dueto com Vera Silva

Não vou à rua

Não vou à rua porque tenho medo,
e talvez até vergonha
de tentar fugir ao tempo.
Tenho medo de encontrar
alguém que me poça encarar,
tenho vergonha de olhar
a pessoa que irei amar.
Não consigo sair,
é mais forte do que eu.
E quando sai-o, por obrigação,
olho sempre para o chão,
pois assim não vejo,
no rosto, a expressão.
É verdade,
já tentei pôr termo à vida,
só para ver se não sofria.
Mas já vi que não vale de nada...
Portanto,
só me resta uma coisa:
viver de cabeça erguida,
e não ter vergonha de assumir
que sou homossexual.
E se me questionarem,
eu digo:"qual é o mal?"
Não incomodo ninguém...!
Apenas vivo a minha vida,
Por que se incomandam comigo,
Tonando a minha vida num inferno,
Será que algum dia vai mudar?
Será que algum dia não serei olhado de lado?
Espero por esse dia, será um sonho tornado real!
Mas enquanto não acontece, terei de aguentar com esses olhares...
Que me matam, só com olhar, que sociedade que ousa dizer ser liberal...